DÍA
10 para 17 DE NOVEMBRO DE 1.999
PROTEINA
C-REACTIVA NO DIAGNÓSTICO DA SEPSIS E CORRELAÇÃO COM
FALÊNCIA ORGÂNICA
TEXTO
COMPLETO
Pedro Póvoa
Eduardo Almeida
Antero Fernandes
Pedro Moreira
Rui Mealha
Henrique Sabino
UCI, Hospital
Garcia de Orta, Almada, Portugal
Introdução
-
Foi nosso objectivo
determinar a eficiência da concentração plasmática
da Proteina C-Reactiva (PCR), temperatura (T) e da contagem de glóbulos
brancos (GB) na detecção da sepsis nos doentes críticos.
Avaliar a correlação entre a concentração plasmática
da PCR e gravidade da sepsis.
Material
e Métodos -
Durante um período
de 3 meses todos os doentes admitidos na UCI mais de 24 horas foram incluidos.
Foram registados diariamente os seguintes parâmetros: T, frequência
respiratória, PaCO2, GB, tipo e resultado de exames bacteriológicos,
concentração plasmática da PCR e presença de
falências orgânicas. Cada doente-dia foi classificado em 4
tipos de acordo com a sua situação séptica: 1) Negativo,
doente-dia sem síndrome de resposta inflamatória sistémica
(SIRS), 2) Documentado, doente-dia com SIRS e culturas positivas, 3) SIRS,
doente-dia com SIRS e com culturas negativas ou sem culturas. Este último
grupo foi subdividido com os seguintes critérios: 1) infiltrados
pulmonares persistentes ou novos, 2) presença de purulência.
Doente-dia sem estes critérios era classificado como SIRS com sepsis
improvável (Improvável), e com ³1 critérios como
SIRS com sepsis provável (Provável).
Resultados
-
Foram analisados
um total de 306 doente-dias : 20 Negativo, 15 Documentado, 63 Improvável
e 208 Provável. A mediana (extremos) da PCR dos grupos Negativo,
Improvável, Documentado e Provável foram, respectivamente,
24.5 (7-86), 34 (5-107), 143 (39-544) e 148 (52-320) mg/l. As concentrações
plasmáticas da PCR dependeram significativamente da situação
infecciosa (Negativo, Improvável, Provável e Documentado)
usada na classificação dos doente-dias (p<0.05). A PCR
nos grupos Negativo e Improvável foi significativamente inferiores
às dos grupos Provável e Documentado (p<0.05). O
valor de PCR³50mg/l foi muito sugestivo de sepsis no doente crítico
(sensibilidade 98.5% e especificidade 75%).
Como indicador da
gravidade da sepsis, o nº de falências orgânicas apresenta
uma correlação positiva com as concentrações
plasmáticas da PCR (rs=0.53) o que não se observou com a
T e os GB.
Conclusão
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A PCR é um
bom indicador no diagnóstico de sepsis nos doentes críticos
e é superior à T e aos GB. Existe uma correlação
positiva entre a gravidade da sepsis e as concentrações plasmáticas
da PCR.
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