RESUMO & FULL
TEXT
Nº
00132AG
PAINEL
DE DISCUSSÃO
DÍA 17
PARA 24 DE NOVEMBRO DE 1.999
TITULO:
INTOXICAÇÕES
VOLUNTÁRIAS
Autores:
Ana Lúcia
Gonçalves*,
João Nunes**
Isabel Cardoso
***
* - Enfermeira Especializada
em Enfermagem do Adulto e Idoso , a desempenhar funções na
UCI do Hospital de Santarém
** - Enfermeiro
Graduado, a desempenhar funções na UCI do Hospital de Santarém
*** - Enfermeira
de Nível I, a desempenhar funções na UCI do Hospital
de Santarém
Pela sua elevada
morbilidade e mortalidade as intoxicações constituem um problema
que a todos deve preocupar.
Vivemos rodeados
de substâncias tóxicas, em casa, nas fábricas, nos
campos, nas grandes e pequenas superfícies comerciais onde a sua
aquisição pode ser efectuada por qualquer pessoa.
Além de sabermos
utilizar esses produtos correctamente, temos de ensinar as pessoas a respeitá-los
e a conhecer os seus perigos. Mas a educação apenas não
chega, pois com frequência surgem intoxicações voluntárias
e acidentais. As intoxicações suicidas têm vindo a
aumentar e adquirir proporções alarmantes, o que está
em relação
directa com a instabilidade
social dos nossos dias.
O hospital de Santarém
situa-se numa zona essencialmente rural, o que favorece o contacto com
este tipo de doentes, dado o fácil acesso aos pesticidas.
O último
ano ( Junho 1998 a Junho de 1999) caracterizou-se por um aumento
acentuado deste
tipo de doentes ( 15,1% dos doentes da unidade ).
Verificamos através
do gráfico nº 1 que, 61% dos doentes são do sexo Feminino
e, 39% do sexo Masculino
Gráfico nº
1 Distribuição percentual da amostra por sexos
Pela análise
do gráfico nº2 constatámos que 54% da amostra se situa
no grupo etário dos [ 61-80 anos[ , seguido dos grupos etários
[41 60 anos[ com 23% e o grupo etário [ 0-20 anos[ com 15%,
o que vai de encontro às estatísticas nacionais existentes
que, referem ser as crianças, os adolescentes, os adultos jovens
desempregados e, os idosos os grupos de risco para o suicídio
Gráfico nº
2 Distribuição percentual da amostra por grupo etário
Pela análise
do gráfico nº 3 constatamos que se verifica em maior numero
intoxicações por organofosforados com 62% , seguido do paraquat
e opiáceos com 15% cada
Gráfico nº
3 Distribuição percentual do tipo de tóxico
Pela análise
do gráfico nº4 verificamos que 46% dos utentes tiveram entre
6-10 dias de internamento, apenas 8% tiveram mais de 21 dias, sendo a média
( X ) de 10,8 dias.
Gráfico nº4
Distribuição percentual dos dias de internamento
Podemos constatar
pelos gráficos nº 5 e nº 6 que a taxa de mortalidade é
de 54%, sendo de 46% a taxa de sobrevivência. Por outro lado verificamos
que a maior percentagem de óbitos ocorreu com intoxicados por organofosforados,
bem como a maior percentagem de sobreviventes , o que se relaciona
com a maior nº destes doentes entrados em relação aos
outros
Gráfico nº
5 Distribuição percentual dos óbitos/ tipo de tóxico
Gráfico nº6
Distribuição percentual dos não óbitos/ tipo
de tóxico
A taxa a mortalidade
é de 54%, elevada quando comparada com o índice de gravidade
( APACHE) , sendo o risco de mortalidade em média de 41%,como podemos
ver no quadro seguinte :
Ao relacionar-mos
os índices de gravidade , com o TISS à entrada e à
saída e os óbitos verificamos que o estado do doente
se agravou durante o internamento necessitando alguns de técnicas
invasivas, daí que a taxa de mortalidade seja superior ao risco
de mortalidade inicial.
Quadro nº 2
Média de TISS
Podemos afirmar
que o importante para que se diminua a taxa de mortalidade e morbilidade,
neste tipo de doentes, é a actuação o mais precocemente
possível, instituindo-se as medidas que evitem a absorção
do tóxico, mesmo quando recebemos o doente intoxicado já
com um quadro clinico estabelecido.
A colheita de dados
( Quem, O Quê, Quanto, Quando, Onde e Como), bem como o contacto
imediato com o centro de informação antiveneno é importante
para instituir as medidas terapêuticas e diminuir as probalidades
de ocorrer a morte do doente.
A transferência
do doente para a unidade de cuidados intensivos , quando este necessita
de medidas e técnicas mais sofisticadas como , hemodiafiltração,
ventilação, monitorização ..., deve ser feita
o mais precocemente possível.
Parece-nos pertinente
considerar que as intoxicações voluntárias tenham
uma origem Social , à qual se associa a facilidade de acesso a este
tipo de tóxico.
O facto de, muito
recentemente, ter-mos verificado a presença de embalagens de piretrina,
publicitados em folhetos promocionais de uma grande superfície comercial,
logicamente sem qualquer controlo no acto de compra/ venda, vem colocar
algumas questões em relação à intervenção
social que os Enfermeiros deverão ter ou não, neste campo.
Assim julgamos pertinente
colocar à consideração dos congressistas as seguintes
questões:
· Deve a equipa
de profissionais dos cuidados diferenciados , limitar-se às suas
funções intra unidade de prestação de cuidados
directos ao intoxicado?
· Ou pelo
contrário , deve alargar ao máximo a sua acção,
tentando introduzir também alterações na comunidade,
quer ao nível individual - indivíduo de risco / família-
quer a nível comunitário - legislação, contactos
com as entidades ligadas ao processo de fabrico , laboratórios e
comercialização em pequenas e grandes superfícies
comerciais?
· De que
modo podemos articular estas actividades com os colegas dos cuidados de
saúde primários?
· Que papel
poderão os meios de comunicação social desempenhar
no âmbito da prevenção?
· De que
modo estas atitudes, poderão resultar em sentido inverso, publicitando
ainda mais o fácil acesso aos tóxicos elevando as taxas de
utilização inadequada dos mesmos?
· Por outro
lado e face ao risco presente da recidiva, que tipo de acompanhamento psicológico
/ psiquiátrico deve ser dispensado e com que participação
da equipa de enfermagem da unidade de cuidados intensivos?
· Ao ser
portador da informação obtida aquando da admissão
do utente e contacto diário com a familia,em fase aguda do processo
emergente, de que modo poderá a equipa de enfermagem da unidade
disponibilizar as percepções adquiridas, minorando o risco
de recidiva?
Siglas e abreviaturas
UCI Unidade de
cuidados intensivos
APACHE Acute Physiology
and Chronic Health Evaluation
TISS- Therapeutic
Intervention Scoring System
X - Média
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